 Ao ser contratado pela Shell como estagiário, em julho de 1979, Vasco Dias tinha os mesmos sonhos dos jovens de sua idade: queria aprender tudo o que pudesse, se desenvolver na profissão e, quem sabe, fazer carreira na empresa. Quase 26 anos depois, Vasco é hoje o presidente da Shell Brasil. Durante esse período, esteve ausente da Companhia somente durante os quatro anos em que exerceu o cargo de diretor executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), para então ser convidado para substituir Aldo Castelli. Feliz por poder voltar a trabalhar na empresa onde deu seus primeiros passos profissionais e que conhece tão bem, Vasco encara com grande otimismo os desafios que têm pela frente. Nesta entrevista a Notícias Shell, o presidente fala sobre o futuro, mas também sobre passado e presente. NS - São mais de 20 anos de Shell. Por favor, nos conte sua trajetória na empresa.
Vasco Dias - Entrei na Shell como estagiário em julho de 79 e em janeiro de 80 eu já estava contratado como programador de sistemas. Fui responsável pela implementação da automação na Base de Caxias, que estava sendo inaugurada e acabei me tornando o chefe da base. Pouco tempo depois assumi a gerência de Operações. Trabalhei durante dois anos em Londres e na França, voltando como diretor de Operações. Depois de uma temporada no Brasil, fui para a Holanda trabalhar num time conhecido como LEAP (Leadership & Performance). De volta ao Brasil em 97 tive várias funções: fui presidente da ShellGas, vice-presidente Comercial e vice-presidente de Operações. Em 2000, a Shell me propôs voltar para Londres, mas preferi continuar no Brasil e achei que era o momento de dar uma reciclada. Não foi fácil a decisão de sair da Shell, mas achei que seria importante trabalhar numa grande empresa local. E assim fui para a CSN, onde permaneci durante quatro anos como diretor executivo. Com a aposentadoria do Aldo Castelli, surgiu a possibilidade de voltar. Foi um reencontro bastante feliz, tanto pelo meu retorno ao Rio quanto pelo momento profissional da empresa. Hoje, a Shell tem um portfólio bem maior do que tinha quando sai. NS - Quais são as suas principais expectativas e desafios ao assumir a presidência da Shell Brasil?
Vasco Dias - Nos quatro anos em que eu estive fora, muita coisa mudou na empresa e no País. Quando saí, o forte da Shell era a distribuição de combustíveis. Hoje, há um grande investimento nas áreas de E&P e Gás natural. O Grupo tem atualmente uma organização mais simples e mais executiva. Houve evolução. Os grandes desafios são os mesmos que tínhamos na gestão anterior: consolidar e ampliar o mercado, especialmente nas áreas de E&P e Gás. Estamos apostando nas parcerias que estamos fazendo com a Petrobras e abrindo possibilidades de novas parcerias. Nesse sentido, vejo com especial otimismo a 7ª rodada da ANP, que será mais voltada para Gás Natural. Acho ainda que devemos sempre ter a preocupação com a preservação da nossa marca, através da oferta de produtos e serviços de qualidade. NS - A Shell é reconhecida por investir em tecnologias, serviços inovadores, buscando sempre novas alternativas de negócios. Como o senhor vê o Brasil em relação a novas tecnologias?
Vasco Dias - O Grupo Shell tem aumentado seu foco em energias renováveis em âmbito global, e como Brasil é um mercado importante para o Grupo, desenvolvemos iniciativas nesta área como, por exemplo, em energia solar. NS - E nas áreas de saúde, segurança e meio ambiente, como o senhor vê a atuação da Shell?
Vasco Dias - Tenho orgulho da forma como o Grupo se preocupa e se dedica a questões fundamentais como saúde, segurança e meio ambiente. Desenvolvemos e aprimoramos continuamente ferramentas, controles e treinamentos para aprimorar nossa gestão, as quais são reconhecidas externamente. Na segurança rodoviária, por exemplo, alcançamos resultados expressivos. O número de acidentes e fatalidades caiu de forma notável. Precisamos difundir cada vez mais essas iniciativas para que elas sejam aplicadas em outras instituições. Na área de saúde, as nossas instalações e a forma como operamos também são consideradas exemplares. NS - Qual a sua mensagem para os funcionários da Shell Brasil?
Vasco Dias - Quero dizer que estou muito entusiasmado com as perspectivas a curto, médio e longo prazo. O Brasil é um país-chave para o Grupo Shell. Na área de E&P e Gás Natural, temos possibilidades concretas de ampliar a nossa participação no País. Na área de distribuição de combustíveis, temos um trabalho duro para melhorar nossa performance e para ampliar a nossa participação no mercado. É importante destacar a importância do momento no qual vivemos. Um claro exemplo foi a recente visita de Peter Voser, CFO do Grupo Royal Dutch/Shell e diretor regional para a América Latina que esteve no Brasil. Ele veio transmitir a confiança e o comprometimento do Grupo com o Brasil e teve também a oportunidade de repassar pessoalmente essa mensagem para a Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. Foi um encontro muito positivo, no qual mostramos a importância do País nos planos da Shell.
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