Cumprir à risca o que determinam os contratos estabelecidos é ponto de honra para qualquer organização que preza valores como integridade e honestidade. No que diz respeito às relações com seus fornecedores e parceiros, a Shell vai além da simples obrigação de fazer valer seus compromissos. Procura transmitir seus Princípios Empresariais aos integrantes de sua cadeia produtiva e exige em contrato a observância deles. Uma das ferramentas utilizadas para monitorar se as exigências estão sendo cumpridas são as auditorias aleatórias, implementadas pela área de Aquisições e Contratações. Em 2006, foram realizadas seis auditorias em fornecedores estratégicos. Em geral, essas auditorias avaliam as competências técnicas, se as operações apresentam os padrões de qualidade exigidos pelas empresas Shell, e, sobretudo, se as instalações seguem a política de saúde e segurança da empresa, o chamado sistema HSSE. As auditorias não detectaram descumprimento dos princípios. Outros procedimentos aplicados pela Shell, como auditorias realizadas diretamente pelas áreas de negócios, identificaram que um fornecedor desrespeitou os padrões de HSSE. Como a tolerância da Shell em relação à quebra de princípios é zero, a empresa teve o contrato rescindido e, automaticamente, saiu do cadastro da Shell. Esse foi o único caso de descredenciamento de fornecedor em 2006. Por outro lado, a empresa adota uma postura de colaboração quando identifica potencial no fornecedor de se adequar aos seus princípios. Dois casos marcaram 2006 e refletem bem essa forma de atuar da Shell. O primeiro, na área Comercial, envolveu a prestadora de serviço de abastecimento dos clientes do segmento ferroviário. Com registro de acidentes sucessivos nas operações da fornecedora, a Shell se viu obrigada a tomar uma decisão: ou cancelava o contrato com a empresa, ou investia nela. E a empresa optou pela segunda alternativa. Com treinamentos intensivos, visitas locais e campanhas de motivação, a Shell levou o fornecedor a saltar de um nível insatisfatório para um alto patamar de performance em HSSE. Esse trabalho conferiu ao mercado Comercial da Shell Brasil o prêmio de reconhecimento internacional da empresa como uma prática a ser seguida. Ressalte-se que em 2007 a Shell completou 365 dias sem acidentes em operações de abastecimento em ferrovias. O outro caso aconteceu no âmbito da Shell Marine. A frota de um transportador em Vitória (ES), embora atendesse às normas exigidas pelo mercado, não se enquadrava nas condições exigidas pela Shell, que são mais rigorosas, principalmente no segmento marítimo. A empresa financiou as adequações e manteve a relação comercial. Questões como a proibição do uso de mão-de-obra infantil e de condição análoga à escravidão são cláusulas presentes nos contratos firmados com fornecedores. Vale lembrar que a Shell foi a primeira empresa de distribuição de combustíveis a incorporar essas exigências em seus contratos com as usinas de açúcar. Em 2006, a empresa deu continuidade ao acompanhamento dos relatórios do Ministério do Trabalho, do Instituto Ethos e de outros organismos, de forma a assegurar que qualquer fornecedor que apresentasse indício de uso de mão-de-obra infantil ou de condição análoga à escravidão fosse imediatamente erradicado de suas operações. Nesse sentido, a Shell mantém suspensa a relação comercial com uma usina que figurou na espécie de "lista negra" do trabalho escravo divulgada em 2005. Com a entrada no mercado de biodiesel, aumenta o desafio da empresa de garantir que todos os fornecedores estejam alinhados com os conceitos de desenvolvimento sustentável. A Shell estuda formas de certificar as operações dos fornecedores e, para isso, busca parcerias com organizações não-governamentais. Ainda no âmbito das usinas, a empresa desenvolve o trabalho de Gerenciamento de Riscos e Efeitos (Hemp) em 100% das empresas com que mantém relação comercial para o fornecimento de álcool e biodiesel. Essa ferramenta consiste basicamente em identificar os riscos nas operações de carregamento e manuseio do produto. A meta é estender o programa a todos os contratos esporádicos (spots). Somando os contratos permanentes e os eventuais, a Shell tem hoje 60% do volume contratado das usinas cobertos pelo programa. A meta é alcançar 80% até o fim de 2007 e 100% em 2008. O incentivo às compras locais faz parte do dia-a-dia da empresa. Em 2006, a Shell adquiriu cerca de 46% de sua demanda (excluindo insumos, como aditivos e todo e qualquer tipo de combustível) com empresas 100% nacionais (a informação publicada no relatório passado contemplava as unidades de negócios e serviços apenas da área de distribuição). O segmento de Exploração e Produção se destaca nesse quesito. A exemplo do que foi feito com os fornecedores para o projeto do bloco BC-10, batizado em 2006 de Parque das Conchas, a área começou a disseminar internamente na empresa a necessidade de aumentar o conteúdo local dos projetos relacionados ao BS-4 - próximo bloco a entrar em fase de desenvolvimento. Trata-se de um estudo, realizado pelo time de engenheiros responsáveis pelo BS-4, que tem por objetivo oferecer à empresa a real dimensão de como deverá ser o projeto, quais os tipos de fornecedores e as demais especificações. A partir desse diagnóstico, a Shell poderá formatar encontros ou workshops (nos moldes do evento realizado em 2005 no caso do BC-10) para repassar aos fornecedores locais os requisitos da empresa e os padrões de qualidade exigidos, de forma a contribuir para a elevação do nível de competitividade das empresas brasileiras.
Para dar suporte a essa estratégia, a Shell e outras seis empresas do setor apoiaram o desenvolvimento e a implementação do Cadfor (Cadastro de Fornecedores), uma iniciativa da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que visa a mapear e qualificar os fornecedores brasileiros, aproximando-os, assim, das operadoras.
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