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Carro nos anos 50

Anos 50
Os veículos da primeira geração tinham o motor na frente e possuíam o formato de um bólido. A primeira equipe a se destacar foi a Alfa Romeo, que se tornou a primeira campeã na história da Fórmula 1. Em Silverstone (1951), a Alfa Romeu sofreu sua primeira derrota, quando o argentino Froilan González levou a Ferrari ao lugar mais alto do pódio. Fornecendo combustível para as duas melhores equipes da época, a Shell venceu todos os títulos mundiais entre 1950 e 1953.

A construção que mais marcou a década foi o ineficaz BRM britânico, cujo conceito ousado não foi concluído por falta de fundos. Apostando no clássico chassi tubular com um eixo traseiro De-Dion, os ingleses conseguiram suplantar a potência dos carros da Alfa Romeu.

Motor era prioridade
Devido à sua pequena cilindrada, o motor Ferrari não atingia mais que 190 HPs e isto era praticamente o máximo que se podia chegar. Apenas a Maserati conseguiu aumentar a potência do motor, chegando a 200 HPs, o que era incrível para a época. Em 1954 iniciou-se uma nova fase na Fórmula 1, com as equipes Mercedes, Connaught e Cooper. Os alemães entraram em cena em grande estilo, com uma vitória dupla de Juan Manuel Fangio seguido por Karl Kling. Fangio foi campeão em 54 e 55 e a Mercedes ganhou oito corridas.

Em julho de 1955, a Fórmula 1 conheceria uma inovação que iria mudar os rumos do automobilismo para sempre. Um certo australiano chamado Jack Brabham, começou a pilotar um Cooper com o motor nas costas do carro. Outra coisa que diferenciava os pilotos daquela época dos atuais, era o comportamento.

Anos 60
Durante a temporada de 1960, no GP da Bélgica, um acidente matou dois pilotos e deixou outros dois gravemente feridos, fazendo com que a categoria começasse a pensar seriamente na segurança do esporte. Paralelamente, a FIA obrigou as equipes a usarem gasolina comum. A Shell se adiantou e colaborou com a BRM no desenvolvimento do motor de oito cilindros.

No campo da construção de chassis, o ano de 62 registrou modificações revolucionárias. Colin Chapman apresentou ao mundo a célebre Lotus 25, feito de ligas leves e com um cockpit onde os pilotos ficavam praticamente deitados. Nesta época, surgiram também os volantes minúsculos, usados até hoje na Fórmula 1. Graham Hill foi o campeão de 62, a bordo de um BRM.

O dia 4 de junho de 1967 foi um dia histórico para o automobilismo: a Ford estreou seu famoso motor V8. Com Jim Clark no volante, a equipe obteve uma série de vitórias que só foi batida com o advento dos motores turbo. Apesar disto, o V8 chegou tarde demais para impedir que a Brabham ganhasse o campeonato.

O ano de 1968 foi marcado pela introdução dos aerofólios na Fórmula 1. A aerodinâmica dos carros alcançava novos níveis. Nesta temporada, Graham Hill conseguiu seu segundo título. A Shell também tinha o que festejar, obteve quatro vitórias com a Lotus, três com a McLaren e uma com a Ferrari. Em 1969, em Barcelona, devido a dois graves acidentes, o aerofólio foi banido por quebrar facilmente em contato com fortes ventos. Equipes protestaram, alegando que sem eles os carros tornavam-se instáveis.

Os campeões:

1950 Giuseppe Farina - Alfa Romeo (com Shell)
1951 Juan Manuel Fangio - Alfa Romeo (com Shell)
1952 Alberto Ascari - Ferrari (com Shell)
1953 Alberto Ascari - Ferrari (com Shell)
1954 Juan Manuel Fangio - Mercedes/Maserati
1955 Juan Manuel Fangio - Mercedes
1956 Juan Manuel Fangio - Lancia/Ferrari (com Shell)
1957 Juan Manuel Fangio - Maserati
1958 Mike Hawthorn - Ferrari (com Shell)
1959 Jack Brabham - Cooper-Climax


1960 Jack Brabham - Cooper-Climax
1961 Phill Hill - Ferrari (com Shell)
1962 Graham Hill - BRM (com Shell)
1963 Jim Clark - Lotus-Climax
1964 John Surtees - Ferrari (com Shell)
1965 Jim Clark - Lotus-Climax
1966 Jack Brabham - Brabham-Repco
1967 Denis Hulme - Brabham-Repco
1968 Graham Hill - Lotus-Ford (com Shell)
1969 Jackie Stewart - Matra-Ford

F1 nos anos 70
Senna e Prost
Anos 70 Foi pelas mãos do genial construtor Colin Chapman que a história da aerodinâmica começou a mudar. Ao construir o famoso Lotus 72, o engenheiro fechou a abertura e pôs os refrigeradores atrás das caixas laterais do carro. Outra característica do carro era a suspensão por barra de torção, uma inovação na época, e os freios internos, outra invenção da Lotus.

Durante o treino para o GP da Itália em um acidente fatal, o eixo do freio da Lotus partiu-se e Jochen Rindt chocou-se contra o muro de proteção. Até o final da temporada ninguém conseguiu ultrapassá-lo e Rindt foi o primeiro e único campeão póstumo da F-1.

Na década de 70, a Shell despediu-se da Fórmula 1. No fim de 71, a empresa separou-se da Lotus e da BRM e, no ano seguinte,  72 rompeu com a Matra. Depois parou de fornecer para Ferrari, devido à crise do petróleo. Em 1977, em um salto na tecnologia, a Renault construiu o primeiro motor turbo do esporte. Nesta época, a Shell já havia voltado para a Fórmula 1, patrocinando a Lotus — grande campeã em 1978.

Anos 80

Na década de 80, a velocidade dos carros era cada vez mais alta e engenheiros trabalhavam para melhorar a aerodinâmica dos veículos. Nas pistas, a Ferrari acabou ficando em 19° na classificação geral. O vencedor foi o australiano Alan Jones, da Williams.

O adeus a Gilles Villeneuve
Um dos mais memoráveis pilotos da Ferrari, Gilles Villeneuve, foi vítima de um grave acidente. O canadense, pai do campeão mundial de 97, Jacques Villeneuve, morreu no dia 8 de maio de 1982. Seu companheiro de equipe e favorito da competição, Didier Pironi, também perdeu a vida durante os treinos para o GP de Hockenheim.

O brasileiro Nelson Piquet foi campeão na categoria, em 1983, com um motor de quatro cilindros da BMW, atingindo 1.300 cavalos. No ano seguinte, a FIA, por motivos de segurança, introduziu válvulas para reduzir a pressão dos motores turbo no carro. Já os carros sem motor turbo não tinham limite de consumo, mas não podiam ser abastecidos durante a prova. Devido a série de restrições, ninguém esperava que uma equipe com motores turbo conquistasse o campeonato.

No decorrer da temporada, o consumo e a qualidade do combustível tornaram-se imprescindíveis. A partir de 84, a Shell estreou a parceria com a McLaren que, com Niki Lauda (1984) e Alain Prost (1985/86), sagrou-se tricampeã.

Em 88, a equipe de Ron Dennis associou-se a Honda e Ayrton Senna ganhou seu primeiro título. Com a potência dos motores reduzida, os carros atingiam aproximadamente 700 cavalos e corriam enormes riscos de não completar a prova por falta de combustível. A Shell resolveu o problema, com o combustível sem chumbo, extremamente econômico, mas com bom desenvolvimento de motor. Junto com a McLaren, a Shell escrevia história na Fórmula 1, quando Senna e Prost ganharam 15 das 16 corridas da temporada.

Em 89, os motores turbo tiveram que ser substituídos pelos aspiradores de 3,5 litros. O desenvolvimento da potência voltou a ser prioridade. Prost ganhou o título e Senna, em segundo, completou a dobradinha de uma das parcerias mais bem sucedidas da Fórmula 1.

Os campeões: 1970 Jochen Rindt - Lotus-Ford (com Shell)
1971 Jackie Stewart - Tyrrell-Ford
1972 Emerson Fittipaldi - Lotus-Ford
1973 Jackie Stewart - Tyrrell-Ford
1974 Emerson Fittipaldi - McLaren-Ford
1975 Niki Lauda - Ferrari
1976 James Hunt - McLaren-Ford
1977 Niki Lauda - Ferrari
1978 Mario Andretti - Lotus-Ford
1979 Jody Scheckter - Ferrari
1980 Alan Jones - Williams-Ford
1981 Nelson Piquet - Brabham-Ford
1982 Keke Rosberg - Williams-Ford
1983 Nelson Piquet - Brabham-BMW
1984 Niki Lauda - McLaren-Porsche (com Shell)
1985 Alain Prost - McLaren-Porsche (com Shell)
1986 Alain Prost - McLaren-Porsche (com Shell)
1987 Nelson Piquet - Williams-Honda
1988 Ayrton Senna - McLaren-Honda (com Shell)
1989 Alain Prost - McLaren-Honda (com Shell)
Ferrari nos anos 90

Anos 90

Em 1990, a disputa continuava entre Senna, na McLaren, e Prost, pela Ferrari. O momento decisivo se daria em Suzuka, onde o brasileiro jogou o carro para cima do francês e garantiu o título. Com os dois carros fora da corrida e com uma prova de antecedência.

No ano seguinte, Michael Schumacher foi revelado. Com um estilo de pilotar agressivo, o alemão conseguiria, como poucos, brigar com gigantes como Senna, Prost e Mansell.

Despedindo-se do ídolo brasileiro
No treino livre para o Grande Prêmio de Ímola, Barrichello protagonizou um acidente espetacular, mas sofreu apenas ferimentos leves. Senna mostrava-se preocupado em correr no circuito e o acidente do amigo parecia um mau presságio. A tragédia começou no treino classificatório, quando Roland Ratzenberger morreu em um acidente. Para completar o fatídico fim de semana, Senna se chocou-se com o muro, em um acidente até hoje não esclarecido, que tomou a vida de um dos maiores ídolos do esporte mundial. Nesta temporada, marcada por tragédias, Michael Schumacher, com a Benetton, foi o campeão.

Em 1996, Schumacher foi para a Ferrari, buscando acabar com o longo jejum de títulos da escuderia. O campeão de 96 foi Damon Hill, seguido pelo seu companheiro de equipe Jacques Villeneuve, mostrando que a Williams era dominante na categoria. Em 97, o título ficou com Villeneuve.

Na temporada de 2000, começou a ser utilizado o combustível ultrapuro. A Ferrari, que despontava como favorita, e o modelo F1-2000 era um dos melhores já feitos pela equipe. O brasileiro Rubens Barrichello foi contratado como novo companheiro de Schumacher. Apesar do fantástico início da temporada, a Ferrari travou um duelo emocionante com a McLaren. Com Schumacher em plena forma, a Ferrari quebrou um jejum de 21 anos, e levou o tão esperado título de pilotos.

Depois de 2000

No GP do Canadá, em 2002, Schumacher conseguiu sua quarta vitória no ano e assumiu a liderança do campeonato, até então ocupado por Raikkonen. No GP de Nürburgring, a Ferrari já liderava o mundial dos construtores e Schumacher, o campeonato de pilotos.

Em 2003, o Japão foi cenário de um feito histórico do piloto alemão: Schumacher chegou em oitavo e garantiu mais um campeonato o hexacampeonato mundial de pilotos, além de ajudar a Ferrari a conquistar o 13°  título de Construtores, em 2003.

Em 2004, os novos circuitos de Xangai e Sakhir colocaram China e Bahrain no calendário oficial da competição.
Schumacher bateu mais um recorde com sua F2004, tornando-se o maior campeão da história da Fórmula 1, com sete títulos mundiais, além de bater o recorde de pole positions de Ayrton Senna. O alemão também possui o maior número de pontos, pódios, voltas rápidas e GPs disputados da história da categoria.

Em 2005, a Federação Internacional de Automobilismo anunciou uma série de mudanças no regulamento. As novas regras estabeleceram restrições ao uso dos pneus, que não poderão mais ser trocados durante a corrida, exceto no caso de estarem furados, danificados ou de a pista estar molhada. A medida deu mais importância à estratégia dos pit stops. Em relação à aerodinâmica, a FIA reduziu o downforce dos carros em 25%, tornando-os mais difíceis de serem controlados, além de produzir voltas mais lentas e aumentar a segurança.

Os campeões:

1990 Ayrton Senna - McLaren-Honda (com Shell)
1991 Ayrton Senna - McLaren-Honda (com Shell)
1992 Nigel Mansell - Williams-Renault
1993 Alain Prost - Williams-Renault
1994 Michael Schumacher - Benetton-Ford
1995 Michael Schumacher - Benetton-Renault
1996 Damon Hill - Williams-Renault
1997 Jacques Villeneuve - Williams-Renault
1998 Mika Häkkinen - McLaren-Mercedes
1999 Mika Häkkinen - McLaren-Mercedes

Felipe Massa, no GP Brasil de 2008.

O brasileiro Felipe Massa, no GP Brasil de 2008.

O início dos anos 2000 foi marcado pela supremacia de Michael Schumacher e da Ferrari. O piloto alemão conquistou o Mundial de Pilotos de 2001 a 2004, somando sete títulos e consagrando-se como o maior vencedor da história da categoria. Com sua aposentadoria, deu lugar a Kimi Räikkönen, que foi campeão em 2007 e ajudou a Ferrari a ser campeã do Mundial de Construtores mais uma vez.

Nesta primeira década do século XXI, novos pilotos se consagraram. Em 2005, Fernando Alonso (Renault) se tornou o campeão mais jovem da F1, recorde batido por Lewis Hamilton (McLaren) em 2008 e por Sebastian Vettel (RBR) em 2010.

O jejum brasileiro de títulos continua. Rubens Barrichello (Ferrari) foi vice-campeão em 2002 e 2004, e Felipe Massa perdeu o campeonato para Hamilton, em 2008, por apenas um ponto.

Duas polêmicas agitaram a categoria neste período. Em 2007, acusações de espionagem culminaram com a eliminação da McLaren do Mundial de Construtores. No ano seguinte, Nelsinho Piquet (Renault) bateu propositalmente no muro em Cingapura para beneficiar Fernando Alonso, que venceu a etapa.

Em 2009, a FIA promoveu a volta dos pneus slick, alterações aerodinâmicas e a introdução do KERS. O desempenho da Brawn GP em seu ano de estreia surpreendeu a todos, e o inglês Jenson Button ficou com o título.

Em 2010, a Red Bull Racing apresentou o carro mais rápido do grid, mais uma obra do engenheiro Adrian Newey. Além do retorno de Michael Schumacher (Mercedes), a participação de Bruno Senna (Hispania) trouxe de volta à categoria um dos sobrenomes mais admirados do automobilismo. O espanhol Fernando Alonso, em seu primeiro ano na Ferrari, foi vice-campeão.

Os campeões:

2000 - Michael Schumacher - Ferrari
2001 - Michael Schumacher - Ferrari
2002 - Michael Schumacher - Ferrari
2003 - Michael Schumacher - Ferrari
2004 - Michael Schumacher - Ferrari
2005 - Fernando Alonso - Renault
2006 - Fernando Alonso - Renault
2007 - Kimi Räikkönen - Ferrari
2008 - Lewis Hamilton - McLaren
2009 - Jenson Button – Brawn GP
2010 - Sebastian Vettel – Red Bull Racing




*Este texto foi elaborado pelo jornalista Gabriel Schmidt (Speedblog), com colaboração de Felipe Siqueira, vencedor da "Promoção Uma Década de Fórmula 1".